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‘Teologias apocalípticas’ ganham força em momentos de crise, diz Petra Costa

‘Teologias apocalípticas’ ganham força em momentos de crise, diz Petra Costa

‘Teologias apocalípticas’ ganham força em momentos de crise, diz Petra Costa
‘Teologias apocalípticas’ ganham força em momentos de crise, diz Petra Costa (Foto: Reprodução)

Qual é o enredo que leva ao fim do mundo? Muitas culturas e religiões apontam para esse momento, com interpretações variadas. Para os cristãos, o livro bíblico do Apocalipse, que significa revelação, profetiza o futuro de um planeta em agonia, consumido por guerras e calamidades, que seria redimido pela volta de Jesus Cristo. Essa foi a alegoria mítica escolhida pela cineasta Petra Costa como fio condutor do seu novo documentário, “Apocalipse nos Trópicos”, disponível na Netflix. 

No filme, Costa, que também dirigiu o documentário “Democracia em Vertigem”, narra o processo político que levou à eleição de Jair Bolsonaro, com massivo apoio do eleitorado evangélico. Ela revisita traumas coletivos, como a pandemia de Covid-19, e leva a trama ao ápice nos atos golpistas de 8 de janeiro, que aparecem como uma parábola do Armagedom, uma grande catástrofe da democracia em verde e amarelo. 

Costa escolheu o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, como protagonista do documentário, ao lado de Lula e de Bolsonaro. Ele é apresentado como uma espécie de chefão, uma síntese da ascensão dos evangélicos ao poder político e o grande interlocutor do ex-presidente com esse público. Isso fica claro em várias cenas, como quando, por exemplo, Bolsonaro, discursando em cima de um trio elétrico, cita uma passagem bíblica e olha para o pastor, como se estivesse pedindo sua aprovação. 

Malafaia é certamente o líder neopentecostal mais midiático do país, e um dos mais influentes no campo político. Setores evangélicos, sobretudo os mais progressistas, entretanto, mostraram desagrado com seu destaque. É que, embora tenha criticado o filme, há notícias de que ele deixou o cinema aos gritos. O pastor estaria se beneficiando dos holofotes para inflamar um discurso de perseguição religiosa. E também porque ele comanda uma igreja que não é maior do que denominações como a Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, nem do que a Assembleia de Deus Ministério Madureira, do bispo e político Manoel Ferreira, ambos aliados a Bolsonaro. 

Para Costa, essas críticas estão relacionadas a expectativas diferentes sobre como deve ser a construção de um documentário. “Eu venho de uma tradição do cinema direto, em que você escolhe certas pessoas e as acompanha através de um tempo, que é um microcosmos que revelaria parte de um macrocosmos. Então, nesse caso, eu escolhi o pastor Silas Malafaia e, um pouco de Bolsonaro e de Lula, como uma tríade para retratar ao longo do tempo”, disse em entrevista à Agência Pública.

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